Brasil passa de 1 milhão de eletrificados vendidos: segundo meio milhão veio em 14 meses
O Brasil cruzou em setembro a marca de 1 milhão de veículos eletrificados leves vendidos. Com 53.126 emplacamentos no mês, a série histórica da ABVE Data, que acompanha o segmento desde janeiro de 2012, chegou a 1.003.310 unidades. O número confirma a previsão feita pela entidade no início de setembro, quando faltavam menos de 50 mil carros para o primeiro milhão.
A velocidade é o dado que mais impressiona: o primeiro meio milhão levou 13 anos e sete meses para ser atingido (janeiro de 2012 a julho de 2025). O segundo veio em 14 meses, entre agosto de 2025 e setembro de 2026. Só nos nove primeiros meses deste ano foram 381.609 unidades, 38% de tudo que já foi vendido na série. A ABVE classifica como eletrificados os BEV (100% elétricos), os PHEV (híbridos plug-in) e os HEV e HEV Flex (híbridos sem recarga externa). Micro híbridos (MHEV) ficam de fora.
| Marco acumulado | Quando |
|---|---|
| 100 mil | julho de 2022 |
| 250 mil | março de 2024 |
| 500 mil | julho de 2025 |
| 750 mil | maio de 2026 |
| 1 milhão | setembro de 2026 |

"É mais um recorde histórico e a prova definitiva de que já ingressamos numa nova etapa da evolução do mercado automotivo brasileiro", afirma Ricardo Bastos, presidente da ABVE. Para ele, os próximos desafios são "consolidar um parque industrial brasileiro de peças e componentes para veículos elétricos, avançar na segurança regulatória e tributária nas operações de recarga" e atrair investimentos, com a vantagem de uma matriz elétrica 90% renovável.
Setembro: quase 20 de cada 100 carros
Os 53.126 emplacamentos de setembro ficaram 7,4% abaixo do recorde de agosto (57.386), mas representam alta de 148,9% sobre setembro de 2025 e o terceiro maior volume mensal da história. A participação dos eletrificados no mercado de leves foi de 19,8%, ante 21,8% em agosto e 9,2% um ano antes. Como o mercado total cresceu 16,2% em 12 meses, os eletrificados avançaram num ritmo nove vezes maior que o da indústria como um todo.

| Tecnologia (set/2026) | Emplacamentos | Participação |
|---|---|---|
| BEV (100% elétrico) | 22.246 | 41,9% |
| PHEV (híbrido plug-in) | 20.202 | 38,0% |
| HEV Flex | 5.786 | 10,9% |
| HEV | 4.892 | 9,2% |
| Total | 53.126 | 100% |
Os elétricos com recarga externa (BEV e PHEV) somaram 42.448 unidades, 79,9% do total. Os BEV lideraram com 22.246 emplacamentos: queda de 18,1% frente ao recorde de agosto, mas alta de 172,3% em 12 meses. Os PHEV ficaram estáveis em 20.202. Já os híbridos sem recarga renovaram recordes: os HEV Flex chegaram a 5.786 unidades e os HEV a 4.892, ambos com crescimento acima de 100% na comparação anual. Somados aos 8.869 micro híbridos, eletrificados e MHEV representaram 23,1% dos leves vendidos no mês.
Recarga cresce 76,9% em um ano
A entidade atribui o marco à chegada de montadoras de eletrificados ao país (BYD, GWM, Omoda, Pace/GM e Geely), à ampliação da oferta de modelos, ao fortalecimento do pós-venda e à expansão da infraestrutura de recarga. Segundo levantamento da Tupi Mobilidade publicado pela ABVE, o Brasil já tem pelo menos 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos, crescimento de 76,9% em 12 meses. Acompanhamos esse avanço na matéria sobre a expansão da recarga rápida no país.
Onde se vende: São Paulo na frente, Minas em segundo
O Estado de São Paulo respondeu por 26,8% das vendas de setembro (14.250 unidades). Minas Gerais assumiu a segunda posição, com 4.346 (8,2%), à frente do Distrito Federal, com 4.158 (7,8%), seguidos por Paraná (3.403) e Rio de Janeiro (3.166). Entre as cidades, São Paulo lidera com 5.240 emplacamentos, seguida de Brasília (4.158), Belo Horizonte (2.451), Rio de Janeiro (1.625) e Curitiba (1.467). Por região, o Sudeste concentra 43,5% do mercado e o Norte foi a única a crescer sobre agosto (+3,6%).
O marco fecha um ano em que o segmento acumulou recordes mês após mês. No primeiro semestre, mostramos que 16 de cada 100 carros vendidos já eram eletrificados; em setembro, esse número chegou perto de 20.
Fonte: ABVE Data. Mercado total: Fenabrave. Gráficos e foto: divulgação ABVE.




















