Imposto de importação de elétricos chega a 35% em julho de 2026: o que muda
A partir de julho de 2026, o imposto de importação de veículos elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos convencionais (HEV) atingirá a alíquota máxima de 35% no Brasil. A medida encerra o cronograma escalonado iniciado em janeiro de 2024 e foi aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) como parte de uma política industrial voltada à produção local.
Desde o início de 2024, as alíquotas vinham subindo de forma gradual, depois de anos em que veículos eletrificados gozaram de isenção ou redução tributária. Julho de 2026 marca o fim desse escalonamento, com todas as categorias — BEV, PHEV e HEV — chegando ao mesmo teto de 35%.
Quem sente mais o impacto
O efeito mais direto recai sobre montadoras que dependem fortemente de importação de veículos prontos, no modelo chamado CBU (completamente montado). Para essas empresas, o aumento representa uma pressão significativa sobre a estrutura de custos — e, consequentemente, sobre os preços ao consumidor.
Já fabricantes que operam com montagem local, seja por meio de kits CKD ou SKD, ou com produção genuinamente nacional, ficam menos expostos ao imposto. Esse é o caso de algumas marcas que já anteciparam esse movimento: a BYD, por exemplo, está montando uma fábrica em Camaçari (BA), e a GWM opera sua planta em Iracemápolis (SP). Ambas devem ganhar espaço competitivo à medida que concorrentes importadores enfrentam custos mais altos.
O que isso significa para os preços
Para quem está pensando em comprar um elétrico ou híbrido importado, a tendência é de alta nos preços a partir de meados de 2026 — ou antes, caso as montadoras antecipem os ajustes. Modelos que hoje chegam exclusivamente como CBU, como boa parte das opções de marcas europeias e algumas sul-coreanas, são os mais vulneráveis a esse reajuste.
Vale lembrar que o programa Mover, do governo federal, oferece benefícios fiscais para fabricantes que investem em produção local e em tecnologias de baixa emissão. Quem cumpre os critérios do programa pode compensar parte da carga tributária — o que torna a decisão de produzir no Brasil ainda mais estratégica.
O debate por trás da política
A lógica do governo é clara: encarecer o importado para tornar o produzido aqui mais competitivo, atraindo investimentos e gerando empregos na cadeia automotiva nacional. Essa estratégia tem precedentes em outros setores e não é exclusividade do Brasil.
O contraponto é igualmente direto: tarifas mais altas reduzem a variedade de modelos disponíveis e podem segurar a adoção de veículos eletrificados por consumidores que ainda comparam preços com os dos carros a combustão. Num mercado em que a infraestrutura de carregamento ainda está se expandindo e os elétricos precisam ganhar escala para baixar custos, uma barreira de entrada adicional tem peso.
O que está claro é que o cenário regulatório de 2026 vai acelerar decisões que algumas montadoras já vinham postergando: produzir no Brasil deixa de ser uma escolha e passa a ser uma condição para competir com preços viáveis.




















