BYD lidera o varejo automotivo brasileiro em abril de 2026, quatro anos após entrar no mercado
A BYD terminou abril de 2026 na primeira posição do ranking de varejo automotivo brasileiro — o que considera apenas as vendas para pessoas físicas em concessionárias —, com 14.911 unidades emplacadas no mês. É a primeira vez que uma marca com portfólio exclusivamente eletrificado chega ao topo desse ranking no Brasil, superando Volkswagen (14.832), Fiat (13.568) e GM (10.209). A marca completou exatamente quatro anos de operação no segmento de automóveis de passeio no país.
O resultado merece contexto: o ranking de varejo exclui vendas diretas (frotas, locadoras, pessoa jurídica), canal em que marcas tradicionais como Fiat e Volkswagen têm presença consolidada. Quando se somam todos os canais, a BYD aparece em quinto lugar em abril, com 18.474 unidades, enquanto a Fiat lidera com folga: 43.132 unidades. Ainda assim, a liderança no varejo é um indicador relevante, pois reflete a decisão de compra do consumidor individual — e nesse recorte a marca saiu na frente de todas as demais.

Uma trajetória de crescimento acelerado
A BYD entregou seu primeiro carro de passeio no Brasil em abril de 2022. Em 2023, o lançamento do BYD Dolphin abaixo de R$ 150 mil funcionou como ponto de virada: a marca chegou ao 15º lugar no ranking geral naquele ano. Em 2024, o BYD Dolphin Mini, com preço ainda mais acessível, empurrou a empresa para a 10ª posição. Em 2025, fechou o ano em 8º lugar.
No primeiro quadrimestre de 2026, a BYD emplacou mais de 56 mil veículos — crescimento de 86% sobre os aproximadamente 30 mil do mesmo período de 2025. Em março, a marca havia registrado mais de 16 mil emplacamentos no total do mercado, recorde à época. Em abril, superou esse número: 18.474 unidades em todos os canais.
Modelos que sustentam os números
Dois modelos concentram boa parte do volume. O Dolphin Mini liderou o varejo pelo terceiro mês consecutivo em abril, com 5.943 emplacamentos. A família Song (que inclui Song Pro e Song Plus) somou 4.078 unidades e ficou na terceira posição do varejo no mês.
A estratégia da marca tem sido clara: ocupar o mercado de massa com elétricos e híbridos plug-in a preços abaixo do que era praticado antes de sua entrada. O Dolphin Mini, hoje um dos carros mais vendidos do Brasil independentemente de motorização, compete diretamente com modelos como o Renault Kwid E-Tech e o Citroën ë-C3.
Produção local e expansão da fábrica em Camaçari
Desde que a unidade de Camaçari (BA) entrou em operação, mais de 50 mil unidades dos modelos Dolphin Mini, King e Song Pro já saíram da linha de montagem. A fábrica emprega atualmente cerca de 4.100 trabalhadores, com processo seletivo em andamento para mais 1.600 vagas voltadas a um terceiro turno de produção — o que levaria a operação a funcionar 24 horas por dia.
A BYD também informou que os prédios de estamparia, soldagem e pintura serão inaugurados em breve, etapas necessárias para ampliar o grau de nacionalização da produção. A marca também parou de fabricar veículos com motorização exclusivamente a combustão desde 2024, concentrando seu portfólio em híbridos plug-in e elétricos a bateria.
O Brasil já é o maior mercado da BYD fora da China. A liderança no varejo em abril reforça que a eletrificação deixou de ser um nicho no país — e que a disputa pelo topo do mercado geral, incluindo todos os canais, promete se intensificar nos próximos meses.




















